Geração Y, obrigado.

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*André Acioli e Augusto Uchôa

Há alguns dias, assisti a uma palestra sobre Empregabilidade com a especialista em RH Ana Paula Cunha, chef do Boteco do Conhecimento. Saí um pouco pensativo, feliz pelas mudanças que ela relatou já estarem ocorrendo no mercado, ainda que demorem a fazer parte das revistas-corporativas-receitas-de-bolo.

Confesso que até gosto das experiências que acontecem antes das comprovações teóricas. O momento atual do RH é uma delas. O próprio entendimento do papel do setor mudou e o perfil dos funcionários também.  Tais mudanças, em grande parte, se devem a uma nova geração de profissionais: a geração Y, que alterou conceitos internalizados por gerações de babyboomers, X e quaisquer outras letras.

Sempre me revoltei com os modelos tradicionais, aqueles “esquenta-a-cadeira”, onde a métrica se dá em função do tempo em que o funcionário permanece sentado na cadeira, parâmetro possivelmente adotado após a revolução industrial e difundido como padrão em todo o mundo. Nele, a folha de ponto é sinônimo de produtividade.

Bom ver que meu pensamento não é exclusivamente meu; todos na palestra veem este modelo como ultrapassado, independentemente do segmento da empresa, do cargo ou da função. Não me atrevo a discutir os eventuais aspectos legais feridos, falo apenas do conceito. Todo o mais, definitivamente, não faz parte da minha expertise.

Na prática, vi e vivi situações estarrecedoras: empresas que pagavam muito em horas-extras porque, como num passe de mágica, seus funcionários se diziam “mais criativos após o expediente” (eita, coincidência!). Assim, duplicavam seus custos de folha e estes geniais funcionários – valorizados, inclusive, pela dedicação à empresa, mesmo após o expediente – usufruíam horrores.

Mas qual a relação disto com a geração Y? Sim, a geração Y dos que nasceram fazendo “n” coisas ao mesmo tempo e que têm muito a nos ensinar, “velhos do mercado”. Ela viu seus pais investirem 20 anos numa mesma empresa, esperando, esperando e… esperando uma promoção que nunca veio.

Cresceu ansiosa pela chegada dos pais em casa, após as extenuantes horas extras – uma vez que mesmo não sendo “gênios” da criatividade, empenhavam-se em provar todo o seu comprometimento e sua dedicação através do registro de horas trabalhadas.

Confundiram empregadas e babás com as próprias mães; viram divórcios; testemunharam “sacrifícios” pelas empresas em modelo quase escravocrata de gestão, onde vida pessoal é inversamente proporcional à felicidade (aliás, “felicidade”? Do que se trata?)

Cresceram escutando “filho, você deve aprender a ‘gostar do que faz’, pois dificilmente poderá fazer algo de que goste; o mundo corporativo é cruel! Somente assim você terá bom salário e gozará de prestígio, igual ao papai”.

Recentemente, os veículos de comunicação repercutiram uma série de matérias relacionadas ao tema “Gerações”. Uma delas falava da convivência de gerações sob um mesmo teto organizacional. O jovem funcionário, conectado ao Facebook, ouvindo música no iPod e que, aí, do seu lado, pode estar produzindo tanto (ou mais) do que você, amigo balzaquiano. Às 18h, quando este jovem sai da empresa , vai para a academia ou simplesmente para casa, leve, sem qualquer peso na consciência.

“Já vai embora? Está desmotivado?” são frases que não têm eco para este grupo. Esta geração não sabe o que é ‘’esquentar a cadeira’’; ou melhor, sabe sim, e nem de longe quer ter de fazer isto. São imediatistas, querem cargos mais altos e em menor tempo. Querem qualidade de vida (ao contrário do que viram e viveram na casa de seus pais). Criam empresas de vanguarda sem se preocuparem se têm ou não a idade ou a maturidade profissional para tal. São mais ação do que planejamento; não têm medo de errar, mesmo sabendo que correm esse risco. São mais humanos do que nós, robôs sem almoço e viciados em café, profissionais modelo da geração anterior.

Os RHs das empresas estão ficando loucos! Os modelos de atração – e retenção – de talentos devem ser revistos; horários idem. A geração Y ampliou os conceitos de empresa, produtividade e comprometimento. É uma mudança cultural que passa pelo próprio DNA das organizações. O que, para esta nova geração é de valor, não é o que se dizia ser valioso antes dela chegar.

Ok, nem tudo são flores. Esta geração, generalizando, não gosta de se aprofundar, é ansiosa e dispersa, por natureza. Pois é, mas o pior é ter a certeza de que estes “defeitos” têm cura!

Ainda mais um motivo para que aprendamos com eles, e rápido!

*

Sobre os autores:

André Acioli é administrador, mestre pelo Coppead-Ufrj, consultor de empresas, professor universitário na Mackenzie Rio e Chef fundador do Boteco do Conhecimento.

*Augusto Uchôa é formado em marketing, mestre pelo Ibmec, consultor de empresas, professor universitário, criador do site Marketing com Fritas e Chef fundador do Boteco do Conhecimento.

Visite www.botecodoconhecimento.com.br

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Uma resposta

  1. Ótimo texto. Por ter as mesmas reflexões, me senti parte dele em vários momentos. Está geração não está disposta a ficar esperando tais promoções que nunca aparecem.

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