TV e Internet: cada vez mais parceiros

A Internet e a TV são hoje as 2 mídias de massa no Brasil, aliás no mundo.

Ao passo que a Internet é a mídia que mais cresce em investimentos e acesso, a TV ainda é a “rainha” das mídias de massa em termos de investimentos das marcas, mas não acredito que por muito tempo, pois há uma forte migração das pessoas da TV para a web.

Se analisarmos os últimos estudos, que são publicados em diversos sites do mercado, podemos fazer uma pequena comparação entre as duas mídias, no quesito audiência: Ao passo que a web cresce, a TV cai. Enquanto o Twitter cresceu de 550 mil usuário para 10 milhões em 2009, a audiência da novela “Viver a Vida” foi a pior da história, lembrando que a audiência da novela das 20h da Rede Globo é a 2ª maior audiência da TV brasileira (atrás apenas do Jornal Nacional); mesmo assim, a novela teve recorde em venda de merchandising.

A audiência da novela e Jornal Nacional é menor do que a audiência diária dos mega-portais, entretanto, a audiência desses programas é concentrada em menos tempo que no portal, ou seja, para que o Uol atinja 5 milhões de usuários únicos no dia, é necessário as 24h do dia, ao passo que os 4 milhões de telespectadores (dados do Ibope) do Jornal Nacional são concentrados nos 45 minutos de duração do programa; mas em termos de mídia o custo de 30 segundos no JN é de aproximadamente 500 mil reais, uma diária de DHTML no Uol pode ser comprada por 80 mil reais.

A conta tem que ser feita pelos gestores das marcas: Vale mais atingir 3,2 milhões de pessoas por 30 segundos na Globo (estima-se que a audiência dos programas caem 20% na hora do intervalo) ou 5 milhões 24h no UOL? Vai da estratégia e cabeça de cada gestor.

Esses números se devem a vários fatores, entre eles a penetração da TV X Internet no Brasil.

Mesmo que em 2008 e 2009 a venda de PCs foi maior que a de TVs no país, ainda é necessário vender muito mais PCs para chegar ao patamar que a TV já atingiu há tempos, por isso, a TV é “ainda” a rainha das mídias de massa no Brasil, digo ainda, pois acredito que nos próximos 10 anos a Internet supere em audiência e investimentos a TV, mas isso no momento é apenas um sonho de um profissional de planejamento estratégico digital.

Outro fator é que a Internet no Brasil ainda é cara, logo apenas as classes AB tem condições de ter em casa Internet banda larga; a classe C começou em 2009 a ter esse “luxo” em suas casas, mas ainda o grande acesso – dessa classe – vem de lugares públicos como Lan Houses, Bibliotecas, Escolas e Faculdades.

A classe D começa a seguir o mesmo caminho e acessar a web de lugares públicos. Ambas as classes estão na expectativa do governo a respeito da banda larga popular a R$ 15,00 por mês; isso vai ajudar a disseminação da web pelo país, mas mesmo assim vai demorar muito para que a web passe a TV em acessos; ainda falando do porquê a Internet ainda está em 2º lugar e vai permanecer por muito tempo assim, o fato de que grande parte da população brasileira está acima dos 50 anos, um público com baixa penetração da web em suas vidas.

Credita-se esse último fator aos baixos investimentos na web.

Em muitas discussões que tenho com profissionais do mercado digital, entendemos que o fato dos diretores das grandes marcas, por já estarem acima dos 50 anos, acreditam que web não faz parte do seu universo, logo, do universo da marca das quais ele dirige; esse pode ser um dos fatores e não estou aqui para julgar se isso é certo ou errado, afinal, para um profissional chegar a ser diretor de um grande anunciante é preciso ser diferenciado no mercado.

Mesmo se tratando de duas mídias tão distantes, como ambas podem estar cada dia mais parceiras? Como entender que as pessoas estão cada vez menos na TV e mais na web e entender que mesmo assim, ambas as mídias caminham juntos na interação desse mesmo usuário?

O Twitter, a grande “febre” na web possui uma métrica especial, o Trending Topics Brasil, ou mais conhecido como TTBr; ao acessar a página do Twitter, qualquer pessoa tem acesso a essa métrica, que mostra os 10 assuntos mais comentados naquele momento na ferramenta de microblog, a relevância do assunto (mais comentados) geram um ranking, quanto mais comentado, mais no topo o assunto fica.

Caso você entre nessa métrica em um domingo por volta das 22h, por exemplo, veja os assuntos que estão ali. Nos últimos 3 domingos eu fiz esse teste e dos 10 assuntos do TTBr, pelo menos 5 assuntos tinham a ver com assuntos relacionados a TV, como por exemplo (1º lugar nos últimos 2 domingos) os quadros do Amaury Dumbo, do humorístico Pânico na TV (RedeTV).

Pode ser que a Rede TV não seja líder de audiência na TV, que ainda é dominada pela Rede Globo, mas ao menos no Twitter, domingo de noite existe audiência, e não arrisco dizer, que os pontos de Ibope do programa aumentam quando os quadros aparecem no TTBr.

Já não é de hoje que somos muito mais influenciados pelos nossos amigos do que pela TV; em minhas palestras, eu sempre abordo esse tema para reflexão de todos: Se eu pretendo comprar um carro e sou impactado pela propaganda do Toyota Corolla, existe uma possibilidade deu ir até a concessionária da Toyota, entretanto, se converso com meu pai, avô, primo que são referências para mim na compra de carros e eles me convencerem de que o Honda New Civic é uma opção melhor, posso até comprar o Corolla, mas existe uma possibilidade enorme do Honda aparecer em minha garagem.

Com base no exemplo acima, justifico o porquê acredito que os comentários de um programa no Twitter pode gerar aumento na audiência do mesmo, e se falando do programa Pânico onde a audiência é basicamente de jovens, a mesma da web no Brasil, não é difícil acreditar como o programa pode se beneficiar dos mais de 10 milhões de usuários do Twitter no Brasil; não por acaso, o programa chega a ser 2º na audiência do domingo ganhando de emissoras como SBT, Bandeirantes e Rede Record.

O caminho inverso também acontece. Em 2 meses após seu lançamento, o R7, portal de notícias da Rede Record atingiu quase 4,6 milhões de usuários únicos por mês, um resultado excelente para um portal com pouco tempo de vida.

Muitos desses acessos se devem a estratégia simples, mas eficaz, de colocar a URL do portal em todos os programas da emissora; ao final do Jornal da Record, por exemplo, o apresentador diz ao público que eles poderiam ver mais notícias no portal; além de falar a URL, a mesma aparece no canto inferior da tela, ajudando na fixação do endereço pelo telespectador;

Voltando a falar do Twitter, especula-se que muito do crescimento espantoso da ferramenta, se deve aos “famosos” da TV como William Bonner, por exemplo, aderirem ao microblog. As pessoas entraram no Twittee sendo estimulados a seguir o apresentador do Jornal Nacional, recentemente o apresentador divulgou que tinha mais de 600 mil seguidores; entre as pessoas mais seguidas estão a equipe do CQC, Luciano Huck e o técnico corinthiano Mano Meneses.

E por falar em relacionamento com ídolos, porque as marcas não podem se apropriar disso?

Algumas marcas como Apple, Coca-Cola, GM são marcas que geram seguidores fiéis; Harley-Davidson possui uma das maiores e melhores redes sociais em volta da marca, e isso não era difícil de prever, pois quem tem uma Harley dificilmente a troca ou a “trai”. Redes Sociais são especiais para esse relacionamento e a TV pode auxiliar e muito nessa estratégia.

A convergência entre essas mídias não para por ai. Podemos ver a classe CD aderindo cada vez mais a celulares que captam TV, os famosos MP15, que são: celulares, câmeras, MP3 players, rádio online, TV analógica, vídeo-games, 2 chips, Wi-Fi entre outros adereços. São aparelhos que fazem sucesso na Rua 25 de Março, famosa rua paulistana de produtos chineses. Por 300 reais qualquer pessoa pode ter um aparelho desses, o que faz com que a penetração desses aparelhos nas classes CD esteja em franco crescimento e o motivo principal para a desses aparelhos é a possibilidade de assistir a TV de qualquer lugar, mesmo que de dentro do ônibus lotado às 18h.

IPTV é outro conceito que chega para dar mais força a essa parceria.

Não é ainda tão comum no Brasil assistir TV pela web, pois ainda os veículos como Globo e Record usam o conteúdo da TV na web, e quase não tem arquivos, mas isso já foi resolvido, pois é possível assistir a muitos programas via YouTube, e claro, YouTube é acessado por um grande número de celulares, por exemplo, todos os Smartphones.

Existem veículos que produzem conteúdo apenas para a web, como o caso da TV Lance, do portal Lancenet. O veículo ganhou uma versão digital após o grande sucesso do jornal Lance; a AllTV, canal 100% digital também mostra altos índices de crescimento; veremos na Copa de 2010 um alto crescimento das IPTVs, pois a Copa ocorrerá em dias uteis no horário comercial e com certeza alguns milhares de computadores estarão ligados em portais para assistir ao vivo os jogos; uma pena que a miopia das TV ainda não permite que você possa acessar ao Globo Esporte.com.br e assistir aos jogos que a Globo transmite, ou não há acordos com sites como o Lancenet que possam retransmitir, uma pena, pois isso só seria benéfico para o usuário e claro, poderia render um aumento nos valores de patrocínio.

Não acredito que a IPTV seja o futuro. Não acho que a Internet vá “matar” TV, por mais que a tendência é que a web passe a TV em audiência, mas tenho a certeza que essa parceria só tende a crescer ainda mais com a chegada, com força, da TV Digital ou melhor, da interação que a TV permitirá no quesito vendas online via TV, ai posso começar a sonhar em uma parceria Submarino.com e Rede Globo para a venda de produtos durante a novela, isso só vai ajudar no crescimento do e-commerce no Brasil, logo, mais investimentos!

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4 respostas

  1. Muito bom texto. É importante saber trabalhar as propagandas em termos de cross media e fazer o uso das mídias digitais. Com toda certeza um consumidor se sente mais próximo de uma marca que se dispõe a ouvir suas críticas (sejam positivas ou negativas), e cria com ela uma relação além de compra-venda.

  2. Texto um tanto longo, mas bastante proveitoso.
    Citando um exemplo meu, não tinha hábito de ouvir rádio a não ser na Nova Brasil, depois comecei pelas manhãs escutar a CBN às 8:05 e 8:10 tem os comentários de Arnaldo Jabor, Mauro Halfeld e Max Geringer. Depois que passei a utilizar o twitter (esse ano pouco antes da copa) comecei a seguir o pessoal da CBN.
    Hoje sou um ouvinte assíduo e já acompanhei tanta matéria legal e inteligente que não me vejo sem rádio, mas sem TV sim.

    Parabéns, ótimo artigo

    http://www.aprendendoparaempreender.com.br

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